segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Vai, menina

Cantarola, menina 
Cantigas do tempo de escola

Sapateia, menina
Seus passos ao que a rodeia

Sorri, menina
Ao mundo que lhe observa 

Se refaz, menina
Diante dos pedaços de que é parte

Vive a arte, menina
Pra dar um rumo na sorte desses trilhos

Trilha caminhos amplos, menina
Que a vida não prospera na indecisão

Estende os braços, menina
E voa na liberdade plena

De ser passarinho livre, menina
Que a liberdade é inspiração que te conduz 

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Processo

Eu, inteiro
Interino de mim
Missionário das partes fragmentadas 
Nas quais afogado permaneci


Sumerso em sensações efêmeras
Paixões de veraneios vívidos
Lutos diversos dos quais fui acometido
No meu crime de rasgar o peito
E me inundar no avesso dos receios

Nos braços que os devaneios me levaram a sentir
Eu, metade descoberta e desnuda
Metade plena e fecunda flor de mim
Eu que me refiz inteiro em dias incontáveis

Na ânsia de existir para mim
Na coerência de mergulhar sem pudores
No mar imenso que é se permitir
Machucar, sangrar, arder, esbravejar
Que o meu peito inflama amor sem amarras

Liberdade sem mordaças no corpo e na alma
Construtividade entrelaçada em lágrimas
De quem precisa se refazer sem o fel e as delongas
Se aquele que fui me assombra

Frente às novas possibilidades
De me reinventar
Resta o espectro imprevisível
Que requer cuidados
Para não padecer no cansaço que é se frutificar.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Toda mulher é uma estrela

Toda mulher é uma estrela 
De pele branca, negra ou amarela
De boca vermelha ou natural
De riso largo e estatura baixa
De porte alto, mulher sem igual

Toda mulher é uma estrela
Que brilha plena e singular
Mulher de amores que transmutam
Mutantes são teus passos
Desconstruída, mulher de liberdade e anseio de vida!

Toda mulher é uma estrela
Lisa ou cacheada
Discreta ou gargalhada
Que conquista seu espaço
Com brabeza ou doçura nos lábios

Toda mulher é uma estrela
Em construção diária de si
Mulher questionadora em transe
De possibilidades múltiplas
De viver ou existir.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Miragem inconsistente 


Bruta pele irradia imagens
Miragens insustentadas pelo tempo 
O avesso movimento do vento nos cabelos
Reinventa, fugaz, nossos momentos 

Sedenta do toque voraz
Que o encontro das bocas traz
Voluptuosa paz que se desfez 
Lentamente no infortúnio peso do agora

Imagens inconsistentes são retratadas
Nas lacunas cruas aquém da realidade
Me invade em intromissões recorrentes
Não te vejo além do antigamente   

Havia muros e portas no entorno
Optaste por muros em todo o jardim
Portas fechadas negavam a fragilidade
Do medo de o amor ter fim

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Liberdade


Liberdade é não esperar do outro
Um pedaço de giz de cera 
Para colorir a óptica da retina do teu olho 

Acima das nuvens tem que cor
Além das nuances que podes ver
Com seu estado de humor?

Nos dias de céu acinzentado
O olho tem subjetividade no cenário
Da luz do teu dia 

Quiça a primavera te oferte flores coloridas
Mas é a ela condicionada a voz
Que proclama tua alegria?

O verão traz um sol de tom amarelo
Aquece seu corpo, mas cabe a ele 
A esperança que nutre no que é belo? 

As folhas do outono de tons variados
Acompanham o vento que acaricia seu rosto
Dança e faz seus ruídos no ar, isto pode te tranquilizar? 

Liberdade é pertencer a si mesmo
Antes de atribuir à chuva, ao cinza e ao frio
A responsabilidade pela constância do vazio.    

domingo, 22 de janeiro de 2017

Constructo da espontaneidade



De manhã poesia acinzentada 
Me ocorria vagarosa
Foi interditada pela prosa interna
Dos grilos ativos que vivem na caixola

Essa danada mania de sofrer antecipadamente
Rasga o peito e costura quando quer, tão lentamente
Que a fadiga mental escapa desse cômodo 
E vai ao quintal de sonhos deitar-se na rede 

Existir é obra inigualável da singularidade
Conduzir a vida como manobrista articulado
Ou ser desses cabras desajeitados que colidem no primeiro muro
É chulo recusar-se a enfrentar os leões de si mesmo

O espelho traz possibilidades: 
Olhar para a realidade ou só ver um pesadelo
Desses de filmes de terror, no qual só se grita e fecha os olhos
Esse torpor de atitude não permite recuos tampouco esconderijo

Acalente teu peito nos abrigos do caminho
Aceite o carinho do vento te tocar o cabelo, o rosto, os medos
Toda sua pele vibra com mais um despertar de possibilidades
O livro da vida é dividido em capítulos, escritos por partes.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Interrupção 



Nos braços da profundidade 
Caminhara em passos lentos
No deleite de olhares ternos
E do afago do vento 

Assobiou canções escolhidas 
Da trilha sonora onde constrói a vida
Num torpor na retina de seus olhos 
Frigidos olhares tóxicos 

Recolhera fragmentos miúdos 
Das peças de seu coração desmontado 
Atingiu o ápice do amor inalcançável 
Num gozo dilacerado em si.