terça-feira, 30 de setembro de 2014

Amores-passarinho

Amores passarão
Impunes ao crivo do tempo
Imunes ao toque esquecido
Do silêncio

Distantes a contento
Os corpos
Entontecem em tormenta
De fadigas cotidianas

Amores fustigam espasmos
Criados certeiros
Em lacunas desnudas
Do imaginário

Os medos podam as asas
Do outro, passarinho
Passa perto de ti e permanece
Fugaz ou devagarinho

Por espontaneidade
Amores serenos
Ficarão guardados
No peito e nos passos dados

Sem mordaças em atos e palavras
Amores perenes
Sussurram sem as lamúrias
De que temem concretização

Amores vêm, amores vão
Feito pássaros em escolha
De um destino e permanência
Do pouso eleito

O bicho solto do homem
Nada prende
Se autonomeia amor,
Mas priva a liberdade

Amores passarão
E alguns amores
Ficam passarinho
Livres, sólidos a cultivar seu ninho.

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